26/11/2010

É possível terminar um relacionamento de forma amigável?

Fui às ruas perguntar sobre o fim de tudo. A dor quando é mais dor. E tudo porque uma leitora chegou a mim com um prego n’alma. E eu não sabia o que responder. Ela acabou de terminar um casamento. E o ponto final desse amor foi plácido, sem briga, sem uma escassa ondinha no lago. Teve uma lágrima, mas teve também um sorriso!

E… Nos primeiros dias, ela achou que tudo bem. Só que logo veio a martelada no coração: “Poxa, Rafael. Acho estranho. Eu devia achar ótimo que não doeu tanto, mas agora está doendo justamente porque não doeu. Não consigo tirar essa minhoca da cabeça: é possível um fim amigável ou tem algo de errado com a gente?”
Então, então conversei com alguns amigos e fui às ruas com essa exata interrogação. E, perguntado, o povo falou: “Tem! Tem coisa errada, Rafael!” Moças, venho escutando muito sobre a necessidade de uma certa brutalidade na vida. E chego à conclusão de que não dá pra ser de centro quando o assunto é amor. É preciso guinar. Sair de um romance pela direita ou pela esquerda. No post de hoje, vou falar sobre o primeiro dos dois tipos de fim:

O CAOS CALMO
Um fim, quando é plácido, sem grito e sem muito choro, tira da gente a oportunidade de dar um mergulho triste e rejuvenescedor na linda lama do amor. Se tem amor, e ele acaba, dói. Sem exceção. Se não dói, não tinha amor-paixão. Tinha amor-amizade, tinha amor-carinho, tinha um monte de coisas. Proponho um teorema: um fogo que dá pra apagar com espirro, é amizade. Quando é paixão, é extintor.

Vantagens: É o termino ideal para iniciar uma raríssima amizade pós-romance. E é elegante, sem histeria, sem agressão, sem ofensa. São duas pessoas calmas o suficiente para considerar o frágil que é a vida e o pouco de sentido que tem essa coisa de se ligar a outro.

Desvantagem: A inevitável percepção de como a gente é sozinho. Amar é amarrar duas “solidões” com açúcar. A gente se engana, mas a verdade é que a melhor imagem do homem que ama é a do gari na Sapucaí, que varre solitário, rodopiando com a sua vassoura, o fim do carnaval. A gente é assim. Só.
E sem um fim grandioso, sem um culpado, sem ter claros os motivos, sem expiar a dor, quando acaba porque acaba, o sujeito fica como a leitora. Descrente. Com um vazio. Com uma dúvida. “Será que tem algo errado? Será que ele me traía? Será…” Não saber às vezes é pior…

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