E acho boa hora de contar a nossa versão da TPM. Atentai para o seu homem, ele também sofre. E sofre sem saber por quê. Um homem também tem uma segunda-feira cinza que dura uma temporada. Também escuta na pança um chamado pelo alento de um chocolate. Também tem vontade de explodir, mesmo sabendo que não tem quantidade suficiente de motivo pra isso.
Falta pólvora nessa raiva, nesse desacordo interior todo. Mesmo assim, ele sofre. Uma TPM perfeita. Quase igualzinho a vocês a cada mês. Só que pior…
Porque o problema todo é que o nosso ciclo de desalento é completamente sapeca e irregular. Não é científico nem biológico. Não tem como saber quando virá, quando irá. É uma coisa da alma. Da alma travessa masculina. Mas anotem e repitam: homem também sangra por dentro.
O que fazer?
Andei cavando conversas com alguns amigos e registrei que esse rombo e esse abismo macho crescem muito quando o sujeito atinge os seus 30, 35 anos. Nessa idade, acabaram as desculpas: ele não pode mais adiar o reencontro com suas expectativas juvenis.
Perceba o momento esquisito em que vive o macho. Ele cresceu com esse espeto moral de ser forte, de ser provedor, de ser guerreiro, de ser bonito, de encolher a barriga, de encarar até a pelada de terça-feira como a necessidade de vitória. De ser o maior. Ele quer enriquecer, ter o pinto de dezesseis toneladas, gozar cinco vezes em uma deitada, não levar desaforo pra casa, não falhar, não ser demitido, não chorar…
E de repente, ele chora. Ele pode chorar. O cofre masculino era feito de paçoca e a gente nem sabia. Nós homens geralmente não contamos isso assim tão fácil. Mas preste atenção na TPM masculina. Ele tá irritadiço, calado, olhando pro chão, avoado? É sintoma, é sintoma!
O que fazer? O mesmo que a gente faz por você. Nada. E aguentar, apoiar, tolerar, respirar fundo, escutar, entender. A gente só precisa de um travesseiro de carne e amor. Vou até fazer uma aposta com você. A partir de ontem, e nos próximos anos, os homens entrarão cada vez mais, de tempos em tempos, numa ladeira sem capacete. É o fim de uma era. É o fim do homem como o conhecíamos. Seja forte, minha pequena e moça leitora. E me conte depois.
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